Estudo alerta sobre diminuição da capacidade de armazenamento de água do sistema elétrico

Estudo técnico divulgado hoje (5) pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) alerta para a gradual diminuição da capacidade de regularização do sistema elétrico que está ocorrendo no Brasil. A capacidade de armazenamento dos reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN) cresceu 21% no período de 2001 a 2012, mas a demanda de energia aumentou 55% no mesmo período, indica o estudo.

De acordo com o documento, considerando que os reservatórios das usinas hidrelétricas estivessem 100% cheios, a capacidade de armazenamento de água no Brasil atingia 6,27 meses, em 2001, o que permitia atender à demanda do SIN, sem necessidade de recorrer à geração complementar a partir de outras fontes de energia. Já o que se observou em 2012 foi uma queda da capacidade de regularização para 4,91 meses. E as estimativas para os próximos anos não são favoráveis.

Projeções feitas pela Firjan apontam para uma perda ainda mais significativa, tendo em vista que a demanda continuará ascendente e a maioria das usinas programadas para o país será a fio d’água, ou seja, elas não terão reservatórios de acumulação, que possam estocar água no período de cheia dos rios para utilização nos períodos secos. De acordo com a entidade, a capacidade de regularização do sistema alcançará 3,35 meses, em 2021. O dado representa uma queda de 50% em relação a 2001 e de 32% em comparação ao ano passado. Tomando por base o nível mínimo dos reservatórios registrado em setembro de 2001 (23,2%), a capacidade de armazenamento dos reservatórios atingirá 0,78 mês, em 2021.

A Firjan lembra que o Plano Decenal de Expansão de Energia 2021, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), prevê que a capacidade de armazenamento dos reservatórios no SIN aumentará em torno de 5% entre 2012 e 2021, enquanto a demanda deverá crescer cerca de 46%.

Meio Ambiente X interesse público

O presidente do Conselho Empresarial de Energia do Sistema Firjan, Armando Guedes Coelho, vê esse problema com preocupação. “A grande vantagem que o Brasil tinha nesse segmento era, exatamente, o sistema de geração hidrelétrica por conta dos reservatórios. Há alguns anos, mesmo que em alguns meses você tivesse zero de chuva, conseguia manter o sistema todo atendido. Isso está decrescendo violentamente, porque as usinas novas são todas a fio d’água”, explicou em entrevista à Agência Brasil.

Guedes alertou que a opção pela construção de usinas a fio d’água no país vai ampliar a necessidade de utilização da geração térmica para atendimento à demanda crescente, trazendo, em consequência, aumento dos custos de geração e maior emissão de gás carbônico na atmosfera. “Os reservatórios atuais vão ser diluídos, na medida em que essa energia cresce”.

Ele acrescentou que a construção de usinas a fio d’água atende a exigências da área ambiental, “em detrimento do grosso da população’. A Usina de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará, por exemplo, disse, terá capacidade equivalente à metade do que seria se tivesse reservatório, “porque a chuva lá é muito concentrada em um determinado período”. Isso significa que, se Belo Monte tivesse reservatório (de regularização), “você armazenava essa água e a utilizaria quando a fluência do rio caísse”. Sendo uma usina a fio d’água, “ela vai operar com o que o rio estiver correndo”.

Guedes avaliou que essa política é errada e deve ser reformulada. Defendeu que a sociedade seja informada sobre o assunto, “e se manifeste com veemência, porque as gerações futuras vão cobrar”.

O estudo mostra que do total de projetos hidrelétricos previstos para o país entre 2017 e 2012, 89,6% serão localizados na Região Norte, totalizando potência de 17.627 megawatts (MW). O Norte brasileiro responde ainda por 51,4%, ou 80.824 MW, do potencial hidráulico nacional disponível hoje, que soma 157.226 MW.

Com texto e fotos da Agência Brasil.

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