A inflação reprimida já começa a cobrar sua conta

A Aneel aprovou ontem reajustes das tarifas de energia elétrica para várias operadoras, numa faixa de 11,2% até quase 20,0% – cerca de 15% em média, bem acima da média que se esperava para este ano, em torno de 10%.

Tudo indica que estamos diante do início da inevitável correção de uma política desavisada do governo federal que gerou, de uns anos para cá, defasagens nos preços administrados que teriam que ser forçosamente cobertas, mais dia menos dia.

Sob uma proclamada política de “modicidade tarifária”, Dilma Rousseff promoveu, nos últimos cinco anos – como ministra, depois, presidente da República, reajustes abaixo da inflação de vários desses preços. A conta começa a ser cobrada.

O da energia elétrica é um dos preços administrados que exercerão pressão sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), desde já e no próximo ano.

O boletim Focus de segunda-feira, do Banco Central (BC), que semanalmente procura aferir as expectativas do mercado para o futuro próximo em várias coisas, inclusive preços, já assinalava que, em 2015, os preços administrados deverão subir em média 6,5%, mais que o próprio IPCA projetado em 6,0%.

As estimativas dos economistas ouvidos pelo BC para o Focus, sobre os reajustes dos preços administrados, subiram, em apenas um mês, 0,55 ponto de porcentagem, para este ano, e 1,0 ponto porcentual, para o próximo ano. Historicamente, os preços administrados sobem menos do que o IPCA, de modo que, em 2015, pela primeira vez os reajustes desses preços superarão o que se espera para o IPCA.

Mas as estimativas sobre a inflação exercem influência antes que se materializem. Por isso, talvez, a Tendências Consultoria considera elevar sua projeção para o IPCA deste ano, que é de 6,3%. Para o próximo ano a estimativa da Tendências é também de 6,3% de alta para o IPCA, mas de 7,44% para os preços administrados.

Os preços administrados incluem tarifas de transporte público e combustíveis, além da energia. Segundo declarou ao jornal Valor Paulo Pichetti, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC) da FGV, esse indicador teve alta de 5,83% em 2013, mas de 12,9% nos 12 meses encerrados em abril.

Ou seja, a inflação não depende agora só dos preços do mês, mas dos que foram reprimidos lá atrás.

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