JBS perdeu R$ 902,7 milhões com derivativos

O JBS comunicou ontem a perda que a empresa teve com derivativos, que derrubou o lucro da companhia. Conforme balanço divulgado no fim da noite de quarta-feira, a JBS registrou lucro líquido de R$ 70 milhões no primeiro trimestre, bem aquém do ganho de R$ 227,9 milhões visto no mesmo período de 2013.

A receita líquida de JBS totalizou R$ 26,4 bilhões, alta de 35,3% ante o mesmo intervalo de 2013. Na mesma comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) quase dobrou e foi a R$ 1,7 bilhão. A última linha do balanço, porém, frustrou o mercado, que esperava um lucro líquido entre R$ 213 milhões e R$ 543 milhões, conforme o intervalo das estimativas dos bancos Bradesco, Bank of America Merrill Lynch (BofA), BTG, Citi e Itaú. Diante disso, as ações da JBS caíram 1,99% na BM&FBovespa.

Ontem, o próprio CEO da JBS, Wesley Batista, admitiu a insatisfação com o resultado. “Esse trimestre não foi satisfatório do ponto de vista de resultado líquido”, disse, em teleconferência com analistas. A queda no lucro está relacionada a uma perda de R$ 902,7 milhões que o grupo teve com derivativos, dos quais cerca de R$ 270 milhões referentes ao custo de “carrego” de hedge contra a variação cambial, conforme Batista. Segundo ele, a JBS tem como política fazer hedge de toda a exposição cambial. No primeiro trimestre, essa exposição foi de R$ 6 bilhões.

Em meio à perda com derivativos, Batista foi questionado por analistas sobre uma eventual mudança na política de hedge – que chegou a motivar um pedido de esclarecimentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 2013, devido ao expressivo volume de derivativos usado.

Em resposta aos analistas, o CEO afirmou ontem que a empresa não tem posição definida sobre eventuais mudanças na política de hedge. Mas admitiu que a adoção da contabilidade de hedge, mecanismo que suaviza as oscilações da operações de derivativos sobre o resultado, é uma possibilidade estudada.

“É um tema que temos discutido constantemente. Poderíamos tranquilamente adotar ‘hedge accounting’ e mudar a estratégia, mas não temos posição”, afirmou o empresário, que reconhece que o custo de “carrego” do hedge, de cerca de 12% ao ano, é elevado.

Mas Batista reiterou que a atual política da JBS funciona “super bem” e que a empresa não teve perdas “expressivas” com variação cambial em nenhum trimestre.

Se a JBS surpreendeu negativamente na área financeira, o desempenho operacional indica que a reestruturação em curso na Seara Brasil, empresa adquirida no ano passado junto à Marfrig, tem surtido efeito. No primeiro trimestre, a JBS Foods – divisão da JBS que uniu as operações de aves suínos e alimentos processados da JBS Aves e da Seara – teve um Ebitda de R$ 379,8 milhões. Já a margem Ebitda no período foi de 13,7%, a melhor entre as cinco divisões da empresa.

Também presente na teleconferência, o CEO da JBS Foods, Gilberto Tomazoni, disse que o processo de captura de sinergias da Seara está mais veloz do que o inicialmente esperado. “Estamos na frente do nosso plano na captura das sinergias”, afirmou ele. A JBS estima que pode capturar cerca de R$ 1,2 bilhão em sinergias. Para os próximos trimestres, o executivo disse acreditar que a JBS Foods pode dobrar “rapidamente” o atual número de pontos de vendas, de 74 mil.

O bom desempenho da JBS Foods reforçou, ainda, a estratégia agressiva de aquisições da divisão. De acordo com Batista, a JBS segue “ativa” em busca de aquisições na área de aves, suínos e alimentos processados. “Temos condição de expandir nosso negócio de processados. Temos balanço para fazer isso e estamos ativos em olhar as oportunidades”, afirmou Batista.

Desde o fim de 2013, a JBS Foods já gastou mais R$ 460 milhões em aquisições de pequenas e médias empresas de aves e suínos. A mais recente aquisição foi anunciada anteontem. Por R$ 105 milhões, a JBS fechou o acordo para assumir a avícola paranaense Bela Foods, que tem capacidade para processar 150 mil aves por dia. O negócio depende do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A participação da JBS Foods nos abates totais de frango no país já chega a 17%.

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