Derrota humilhante para Alemanha força Governo a mudar estratégia da campanha

Até agora, a presidente Dilma Rousseff vinha tirando proveito da onda de otimismo espalhada no país pela Copa do Mundo. Colou sua imagem à do sucesso do torneio até aqui – e não hesitou em usar o Mundial para atacar seus críticos, aos quais diversas vezes classificou como “pessimistas”. O vexame da seleção brasileira nesta terça-feira, contudo, deve provocar uma guinada na estratégia da petista, que busca a reeleição.

Reportagem desta quarta-feira do jornal Folha de S. Paulo informa que a equipe da presidente teme que o mau humor decorrente da derrota por 7 a 1 para a Alemanha no Mineirão contamine as expectativas dos brasileiros sobre outros temas, como economia – a inflação oficial ultrapassou em doze meses o teto da meta do governo –, e afetem a campanha de Dilma. Segundo o jornal, integrantes do governo chegaram a citar a expressão “descolar da Copa” em discussões sobre o jogo na noite desta terça.

Logo após o jogo, Dilma procurou mostrar solidariedade à seleção. Em sua conta no Twitter, escreveu: “Assim como todos os brasileiros, estou muito, muito triste com a derrota. Sinto imensamente por todos nós, torcedores, e pelos nossos jogadores”. E prosseguiu: “Não vamos nos deixar alquebrar. Brasil, ‘levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima'”.

Mas nos bastidores o clima passava longe do apoio. Segundo a Folha, membros do governo passaram a defender, minutos após a goleada histórica, uma mudança de rota na estratégia de associar Dilma aos sucessos da Copa dentro e fora de campo. O plano da presidente de entregar a taça ao vencedor do torneio, porém, está mantido por ora. O governo avaliava que uma derrota brasileira para os alemães seria assimilada como natural. O que ninguém no Planalto podia esperar era um placar tão humilhante. De acordo com o jornal, conforme os gols da Alemanha saíam, a equipe da presidente mudava seu discurso: da expectativa de assimilação da derrota para uma genuína preocupação com o efeito do pesadelo.

Além de descolar-se do Mundial, interlocutores da presidente avaliam que o governo deve assumir a linha de defesa da Copa como evento. Para evitar um fracasso duplo, a segurança nos estádios será reforçada – um revés na organização do torneio na ultima semana do Mundial é considerada como fatal para a imagem da presidente. O Planalto teme, ainda, a volta, com força, das críticas aos gastos com a realização do evento.

E o governo seguirá temeroso até sábado, quando a seleção brasileira disputará o terceiro lugar. Se a Argentina perder nesta quarta para a Holanda no Itaquerão, enfrentará o Brasil no Mané Garrincha. E uma eventual derrota brasileira poderia ampliar o impacto da goleada desta terça.

Qual é a última torcida que cabe à presidente? Por razões que o técnico argentino chamou nesta terça de “culturais” — ele se referia ao fato de que a imprensa de seu país comemorava o desastre brasileiro —, resta à nossa governanta torcer desde já para que seja a Holanda ou a Alemanha a vitoriosa. Ou lhe caberá a honra, depois de ter esconjurado os urubus, de entregar o troféu ao capitão da Seleção da Argentina.

Eu não acho que a derrota da Seleção fará o eleitor votar dessa ou daquela maneira. Não o subestimo assim. Isso não nega o fato de que o PT tinha planos para tentar fazer da eventual vitória uma arma para esmagar os adversários. Seria ineficaz porque, reitero, não é assim que se dão as coisas. Mas o Brasil ficaria um pouquinho mais incivilizado, matéria em que essa gente é craque.

É TOIS, DILMA!

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