IDH de regiões agrícolas deve crescer mais por pelo menos 10 anos

As regiões essencialmente agrícolas no Brasil devem manter um crescimento mais acelerado do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) que as não agrícolas ao menos pelos próximos 10 anos. A avaliação foi feita nesta terça-feira (29/7) pelo CEO da consultoria Kleffmann no Brasil, Lars Schobinger.

A consultoria fez uma pesquisa comparando a evolução do IDH em áreas agrícolas (considerando culturas de soja, milho, algodão e cana) e não agrícolas no país, com base em dados de 1970 até 2010. Nas agrícolas, de um modo geral, o Índice cresceu 69%, passando de 0,424 para 0,718. Nas não agrícolas, a alta foi de 57%, com o IDH passando de 0,458 para 0,717.

“Se tomarmos como exemplo regiões produtoras de algodão, a gente vê que eram municípios muito pobres, com baixa distribuição de renda, e que, com a chegada da agricultura, foram se desenvolvendo”, disse Schobinger, em conversa por telefone com a reportagem da Globo Rural.

Segundo ele, o crescimento do IDH em áreas agrícolas foi mais acelerado nas chamadas “fronteiras” do que em áreas mais tradicionais na produção. “A agricultura levou outras oportunidades de vida para essas populações e acabou trazendo desenvolvimento para outras parcelas da sociedade.”

Para sustentar a tese de que o IDH nas regiões agrícolas vai manter um crescimento mais acelerado que as não agrícolas, o CEO da Kleffmann no Brasil argumentou que a demanda por produtos deve se manter, especialmente na Ásia e o Brasil tende a continuar como um importante fornecedor.

Lars Schobinger ressaltou também que a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) estima que o Brasil tem condições de atender a cerca de 40% da demanda mundial por alimentos até 2050, quando a população mundial deve estar em 9 bilhões de pessoas. “Além do quantitativo de pessoas, há o qualitativo de renda. O crescimento da renda faz as pessoas comerem mais e melhor. Se essa expectativa se mantiver, o agro vai manter essa tendência.”

No entanto, o executivo descarta a possibilidade das áreas agrícolas terem maior influência sobre o IDH do Brasil como um todo. Ele destaca que 87% da população do país está em áreas urbanas, bastante carentes de políticas públicas em áreas essenciais, como educação e infraestrutura. “Seria preciso um salto muito grande, mas não para imaginar essa possibilidade porque o processo de desenvolvimento humano é mais lento.”

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