A democracia sem máscaras, Eduardo Riedel

Estamos em pleno processo eleitoral, que em sua fase final polariza as possibilidades de escolhas e acirra os ânimos da disputa. Desfrutando da prerrogativa democrática, é natural que a sociedade se divida entre as diferentes propostas, ainda que boa parte dos cidadãos tenha dificuldade de entender e respeitar a liberdade de escolha do outro.

Lamentavelmente os candidatos têm entrado no jogo de acusações, deixando o debate sobre as propostas em segundo plano. Ainda assim, é possível destacar as diferenças que distanciam um projeto do outro, as quais podem ser resumidas entre a continuidade de execução do que aí está ou a possibilidade de mudança.

Não podemos deixar de reconhecer alguns aspectos positivos do atual governo para a agropecuária, tais como a evolução do seguro rural e do crédito e a manutenção de uma taxa de juros competitiva. Porém, os pontos favoráveis não contribuem para dar consistência ao discurso ambíguo e paradoxal de um partido que já está há três mandatos à frente do País e gera, além de desconfianças, questionamentos sobre sua capacidade de gestão e suas políticas.

Estamos falando de uma administração que confunde um partido com o Estado ou seja, o aparelhamento do governo e suas instituições. Porém não demonstra nem no discurso nem na prática a capacidade de gestão de uma nação com as potencialidades brasileiras.

Baseado nesse panorama, fico mesmo com a outra opção, uma proposta mais coerente, calcada em princípios democráticos e, principalmente, num modelo de governança das instituições públicas baseado na eficiência. Também considero de suma importância a proposta de ajuste fiscal, o controle inflacionário e a atenção aos fundamentos macroeconômicos que criam ambiência para o desenvolvimento.

Como representante dos produtores rurais de Mato Grosso do Sul, me sinto bem à vontade para expressar meu ponto de vista. Porque uma democracia pressupõe a pluralidade de opiniões, de posturas e de manifestações – desde que respeitado o direito alheio – tanto no âmbito particular como no público, abrangendo este último as representações coletivas que tipificam uma sociedade democrática.

Atendendo aos pressupostos democráticos, tanto a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) quanto a Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Famasul) promoveram amplo debate com os candidatos a presidente e a governador do Estado, respectivamente. E a eles foram entregues agendas elaboradas pelo setor não só com demandas, mas com propostas para os diversos gargalos que comprometem a competitividade da agropecuária.

Ao dar oportunidade de todos os candidatos se expressarem igualitariamente e aos seus representados a chance de avaliar as diferentes propostas, Famasul e CNA cumprem com o papel das instituições representativas que é o de mobilizar seus associados na busca de soluções para seus problemas. Porque entidades de classe não podem ser instituições partidárias, que ditam ideologias e orientações políticas aos seus integrantes.

Bons líderes são aqueles que sabem estimular o debate e a participação dos seus liderados e, na mesma proporção, sabem respeitar suas escolhas, sejam elas quais forem, independente da linha política ou ideológica. A partir deste ponto de vista, o desempenho de uma liderança é avaliado pelo seu envolvimento e pelas ações concretas que realiza em favor do segmento que representa.

*Eduardo Corrêa Riedel é produtor rural, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Famasul)

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