Avanço generalizado dos índices de inflação

Além das altas do IPCA, calculado pelo IBGE; dos IGPs apurados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV); do IPC, da Fipe; e do Índice de Custo de Vida da Classe Média da capital, elaborado pela OEB, o Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i), pesquisado pela FGV e divulgado sexta-feira, também mostra que os preços estão subindo, da média de 2,1%, no quarto trimestre de 2013, para 2,3%, no trimestre passado.

Em bases anuais, o comportamento do IPC-3i é menos desfavorável que os demais indicadores de preços, mas isso não traz tranquilidade às famílias pesquisadas, que são compostas, majoritariamente, por pessoas com mais de 60 anos de idade – e que dependem crucialmente de itens essenciais à preservação da saúde, tais como remédios, alimentação adequada e cuidados pessoais, além de transporte e moradia.

De um trimestre para outro, o custo da habitação passou de um aumento de 1,75% para 2,13%, as despesas com empregados domésticos – muito influenciadas pela elevação do salário mínimo – evoluíram de 0,41% para 4,92% e os dispêndios com alimentação saíram de um crescimento de 3,56% para 4,31%. O impacto trimestral da alta do tomate (+36,3%) e da batata-inglesa (+30,42%) influenciou o IPC-3i: só o tomate pesou 0,13 ponto porcentual e a batata-inglesa, 0,11 ponto porcentual no índice – respondendo, juntos, por 0,24 ponto, equivalente a mais de 10% da inflação.

Entre os itens que menos pressionaram o IPC-3i estão o de saúde e cuidados pessoais, cuja alta se reduziu de 1,49% para 1,37%; e os medicamentos em geral, de +0,40% para -0,07%. Mas novos aumentos nos preços de remédios foram anunciados nos últimos dias – e o peso desse item é o dobro do do IPC normal.

A população maior de 60 anos tem hábitos próprios de vida, em geral diferentes dos de outras faixas etárias. A maioria já está aposentada pelo INSS ou pelos serviços públicos. Com recursos estáveis, tende a tomar mais crédito consignado, o que reduz os recursos livres. E com estes têm de pagar não apenas o essencial, mas também despesas extraordinárias, muitas vezes relacionadas à saúde. Acidentes domésticos, afinal, tornam-se mais frequentes com a idade. Há, ainda, as despesas com juros, que não aparecem nas pesquisas de inflação, ainda que os custos dos empréstimos subam com a alta da taxa básica do Copom.

Afinal, tarifas de serviços públicos (energia e transportes) tendem a pressionar mais o IPC-3i em 2014.

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